sanEssa semana fui obrigado a abandonar o Obelix II e me entregar a compromissos familiares. Fui visitar minha afilhada e sua irmã em BH e também desfrutar dos mimos de minha mãezinha em Itajubá, o centro do universo. Nesse meio tempo o destino me reservou a inusitada oportunidade de visitar Fernando de Noronha. Aquela ilha que tinha em meus planos, mas sempre foi algo distante de efetivar. Como todo mundo, sempre ouvi muitos elogios sobre a ilha paradisíaca do nordeste brasileiro, mas o que vivi foi muito além do que imaginava rolar por lá. Não sei como explicar, mas a ilha tem uma energia realmente diferente. Já no embarque em recife, parece que as pessoas ligam o “happy mode” e tudo já vai ficando diferente. Depois, quando o avião sobrevoa o arquipélago, vai batendo uma mistura de ansiedade e deslumbramento com a beleza que acelera o coração de qualquer um. Em terra tudo começa se confirmar. A ilha realmente é incrível e o lugar tem uma energia muito diferente. Como diz uma amigo, depois que você vem a Noronha, sua vida “normal” fica cinza por umas duas semanas.

Devidamente instalado na Pensão da Carla, que merece elogios a parte pelo quão sensacional é se hospedar com ela, iniciamos a tour pela ilha. Para mim foi tudo muito mais fácil, pois a Isabela, que é quem me trouxe aqui, fez as vezes de guia e foi planejando e executando tudo para fazer o passeio irado. Compramos as entradas para as praias do parque, alugamos um bugre e saímos já no mesmo dia desbravando a ilha. Conhecemos o possível e logo marcamos um passeio de barco e um mergulho com cilindro. O mergulho em Noronha é uma experiência única. A formação dos corais que visitei na ilha não é tão colorida e deslumbrante como a de outros lugares, mas a vida animal deixa você realmente hipnotizado debaixo d’água.

A praia do Sancho realmente parece merecer o título de praia mais bonita do Brasil, mesmo sem eu ter visto a cachoeira que o guia do barco disse se formar em tempos de chuva. Isso realmente deve ser coisa de cinema! A praia do Sueste estava com a água bem turva, o que impossibilitou de ver os tubarões que dizem ter ali, mas ver os biólogos capturando duas tartarugas enormes para estudo foi uma experiência a parte. No Sueste ainda fui surpreendido por um grande amigo de faculdade, o Fabrício, que apareceu do nada e passou a fazer parte de nossa viagem junto com sua namorada e um casal de amigos. De lá fomos para a igreja Nossa Senhora dos Remédios, ver o pôr do sol e o nascer de uma lua cheia inacreditável. A lua estava tão grande e luminosa, que na praia tinha a mesma iluminação da cozinha da minha antiga casa.

Como todo turista de primeira ida a Noronha, fiz o passeio de barco que inclusive recomendo a todos. Nele você passa a ter uma noção muito maior da dimensão da ilha e fica cara a cara com a beleza que a formação vulcânica conferiu a ilha. Além disso tem a companhia dos incontáveis golfinhos e a limpidez da água, que até assusta de tão cristalina. No passeio eles servem um almoço bem gostoso e o simpático guia traz muita informação sobre a historia da habitação da ilha.

Fora do parque nacional, não se pode deixar de ver o pôr do sol no Mirante do Boldrô, onde o sol se põe entre os morros dois irmãos e vc assiste tudo ao som de uma música brasileira tocada por um músico piauiense sensacional. Tem também o pôr do sol visto do Bar do Meio, onde o sol desaparece do ladinho do Morro do Pico, e você assiste tudo com uma música eletrônica no estilo Jurerê Internacional, mas sem toda aquela ostentação de Floripa. Na praia bem do lado, chamada de Praia do Cachorro, passamos uma tarde na sobra de uma barraca e aproveitamos para conhecer o Buraco do Galego, uma piscina natural, formada no meio das pedras e com profundidade de uns três metros, onde é possível saltar e fazer umas fotos bem legais. Se tiver sorte, parece até que você está andando sobre as águas, como na foto acima.

Enfim, isso é um pouquinho do que vivi aqui nessa ilha, por conta surpresa maravilhosa tive. O resto, que é muito maior, não tem como escrever, pois só vindo aqui para viver e sentir.

By Sandro Masseli.