Sabe aquelas viagens que marcam a gente?
Aquelas que não terminam, mas perduram em nossa memória pra sempre? Então… o feriado que pude passar em IlhaGrande no barco dos marinheiros Aureo e Sandro foi desse tipo. A viagem me marcou tanto que estou até agora balançando de um lado pro outro, como se ainda estivesse no barco.
Motivos que me levaram a aceitar o convite do Sandro:
1- Matar a saudade do meu amigo;
2- Entender esse bando de foto em barco que ele posta… Afinal o Sandro abandonou o escritório pra virar pescador? E, por último, o motivo mais importante de todos:
3- Ter a oportunidade de passar as noites num barco! Meu lema de vida é o seguinte: Compre um barco ou seja amigo de alguém que tenha um.
No primeiro dia, Sandro me surpreendeu com a pergunta: “Por que você trabalha?”. Então ele fez uma crítica ao perverso sistema e disse, orgulhoso, que teve coragem de abandonar essas malditas engrenagens ao sair do escritório. Para Sandro, “Navegar é preciso, trabalhar não é preciso”. Mas, não se enganem, Sandro e Aureo não estão vivendo no mato se alimentando de ervas silvestres. Tenho certeza de que, em breve, ficaremos sabendo que ambos abriram um negócio milionário e viraram os reis do Velho Mundo. Como eles vivem postando foto dormindo em rede ou fazendo fogueira, pensei que o barco fosse simples, uma espécie de canoa indígena. Ledo engano: O barco é um luxo, tem sala (doravante designada de “meu quarto”), cozinha, dois banheiros e dois quartos (sim, eles não dormem juntos). A primeira noite que passei no meu quarto do barco foi caótica, as balançadas do barco me deixaram enjoado. Tudo bem que eu tinha bebido muito, mas a culpa certamente foi do barco. Além de nós três, temos mais cinco personagens nessa história: Uma paulista (dona do meu coração), duas colombianas, uma itajubense e um peruano detox. Se você pensa que barco só combina com mulheres fúteis, moço, você é machista. As quatro meninas tinham conteúdo! Entre uma caipirinha e outra a gente discutiu sobre política (discussão mesmo…) e temas profundamente filosóficos, como a presença da mentira nas janelas (O Sandro até olhou pra janela tentando, em vão, encontrar a mentira). Quanto ao simpático e culto peruano detox, até agora não entendi o que leva um peruano a escrever um livro sobre dieta detox em IlhaGrande… Não duvido que o livro fique muito bom, afinal, o detox ama a dieta detox. Porém, foi engraçado observar como o cara só comeu intox! Bacon, baconzitos, Doritos, coca-cola, cerveja… Provavelmente ele acredita que, para limpar, devemos antes sujar. Brincadeiras à parte, comprem o livro dele. Com essas sete pessoas incríveis passei muitos momentos especiais. Contemplar o por-do-sol na límpida Lagoa Azul, degustando uma amstel e o franguinho com lentilha feito pelo Aureo, ao som da viola e da cantoria afinada da galera não tem preço. Um momento inesquecível a ser registrado foi o detox se dirigindo a um casal de velhos gringos naturistas pra pedir informações. No meio do caminho os velhinhos ficaram peladões, e o coitado do detox, completamente constrangido, se virou pra gente e perguntou: “Será que eu devo ir lá mesmo assim?”. Estouramos numa gargalhada, o que levou os velhinhos a se vestirem. Vou ter que parar por aqui, porque o Sandro disse que as pessoas hoje em dia só leem seis parágrafos e porque já contei tudo o que podia contar (o melhor, infelizmente, não pode ser contado).